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Preocupados em compreender a multiplicidade de aspectos culturais na capital baiana, estudantes e pesquisadores da Oficina Cinema-História formularam o projeto O profano é sagrado na Bahia, imagens e representações da cultura popular, que originou o presente site. Para o seu desenvolvimento, partimos da hipótese do caráter contraditório da cultura popular, pois ao mesmo tempo em que se apresenta como irreverente, desafiando o poder estabelecido, também possui elementos de aquiescência às regras dominantes.

De forma mais ampla, consideramos a cultura como um conjunto de idéias, de práticas, de valores e de representações, de modos de pensar e de agir significativos para determinado grupo social. Sendo que, as práticas, os costumes, as concepções e as transformações fazem sentido para determinado agrupamento, somente relacionando as práticas culturais com os contextos em que são re/produzidas, inclusive as forças sociais que movem a sociedade, poderemos compreender seu significado. No entanto, a cultura não pode ser reduzida às relações sociais das quais é produto, ela possui sua dinâmica própria e seu caráter criador.

Sendo a cultura um conjunto de processos sociais de produção, circulação e consumo de significados na vida social e um espaço de conflito, de disputa e de competição, consideramos que não há cultura popular pura, ela se configura pela relação com outras culturas e com as instituições e concepções dominantes, ou seja, a polarização cultural é enganosa, pois as classes dominadas estão em relação com as classes dominantes, partilhando um processo social em comum. A produção cultural é fruto dessa existência em comum, embora os benefícios e o controle sejam repartidos de forma desigual.

Delineados esses pressupostos teóricos, a equipe nomeou seu projeto com uma das principais características da cultura popular na Bahia: a imprecisão das fronteiras entre os espaços sagrados e profanos. Observando as inúmeras festas populares que acontecem ao longo do ano (Bonfim em janeiro, Yemanjá em fevereiro e Santa Bárbara em dezembro, são apenas alguns exemplos), percebemos uma sacralização de espaços profanos, que retornam ao seu estado de profanos com o cessar das festas religiosas.

Outra característica marcante da cultura popular na Bahia é o sincretismo religioso. Práticas católicas e do candomblé convivem e se mesclam cotidianamente nas práticas culturais, “apimentando” a vida do baiano, que joga flores para Yemanjá, acende velas para Santa Bárbara, reza a trezena para Santo Antônio e se diz filho de Oxossi. Essa presença marcante da cultura africana nos levou a escolher os orixás como símbolos do site, fruto do projeto.


   
 
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Uma publicação da Revista O Olho da História.
Um projeto do Núcleo de Pesquisa Oficina Cinema-História
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