Quando os irmãos Lumière inventaram o cinema há
mais de um século, com muita dificuldade imaginariam que o
cinema fosse adquirir uma importância tão grande para
a história e para os historiadores. Somente nos anos sessenta
e setenta do século XX é que começou a se afirmar
uma nova concepção que admitia tratar a história,
enquanto processo, utilizando o filme como documento e como instrumento
para o ensino da história. Na França, no campo da historiografia,
este movimento foi liderado por Marc Ferro - que cunhou a expressão
cinema-história. Esta relação é o verdadeiro
núcleo estruturador deste Projeto.
Nenhuma forma de expressão se impôs tanto, de tal modo
a fazer jus a uma elaboração teórica, como ocorreu
com o filme. Este, para o cientista social, para o psicólogo
e para o psicanalista, passou a ser visto como um modelador de mentalidades,
sentimentos e emoções de milhões de indivíduos,
de anônimos agentes históricos, mas também como
registro do imaginário e das ações dos homens
nos vários quadrantes do planeta. Ficção ou documentário
o filme é, incontornavelmente, um lugar de memória.
É necessário, portanto, o reconhecimento de que todas
essas facetas se impõem à observação das
diversas disciplinas denominadas de ciências humanas. Mas foi
particularmente com a história que o casamento do cinema parece
ter-se consolidado melhor.
A realidade-ficção do cinema promove, de fato, as leituras
e interpretações do processo histórico-social
das camadas sociais que, direta ou indiretamente, controlam os meios
de produção cinematográfica. Tornando-se, ao
longo do século, um dos mais eficazes instrumentos promotores
de substância ideológica homogeneizadora no mundo, contudo,
ampliou consideravelmente a consciência histórica de
milhões de indivíduos, sobretudo se considerarmos a
sua difusão promovida pela televisão.
Assim, se não bastasse a importância do cinema-divertimento,
do cinema-arte e, da mesma forma, do cinema-documentário como
laboratório para a investigação do historiador,
é preciso examinar a fundo o cinema como veículo de
ideologias formadoras das grandes massas da população
e que pode ser utilizado, com plena consciência de causa, como
meio de propaganda. Este exame constitui ao mesmo tempo um excelente
meio para podermos reproduzir conhecimento histórico crítico
em sala de aula.
Os filmes, que com o desenvolvimento do vídeo-cassete e dos
sistemas de reprodução em VHS, e mais atualmente em
DVD, possibilitaram aos educadores um verdadeiro manancial de conhecimento
sobre a história da humanidade, passíveis de serem difundidos
através de um meio, não somente estimulante, mas que
também subverte a antiga lógica do ensino de história
cansativo e enfadonho. As imagens simplesmente apaixonam os seus espectadores.
Mas não somente! Elas envolvem emocionalmente os seus públicos,
inclusive e principalmente, os estudantes mais recalcitrantes, os
de maior dificuldade de concentração e aqueles que manifestam
um interesse secundário pela história enquanto disciplina.
Acreditando nessa potencialidade do cinema é que pesquisadores
e estudantes da Oficina Cinema-História, Núcleo
de Produção e Pesquisas da Relação Imagem-História
da UFBA, desenvolvem o projeto O cinema na sala de aula: apoio
didático ao professor, com o intuito de partilhar suas
pesquisas, reflexões e experiências com o corpo docente,
incentivando a utilização de filmes em sala de aula.
Convidamos, assim, os professores das diversas áreas das ciências
humanas (História, Geografia, Português, Inglês,
Filosofia, Sociologia...) a conhecerem nosso trabalho e estabelecerem
contato conosco.
Boa sessão!!