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cinema é uma forma de expressão onde a razão
aparece mesclada a tudo mais que é humano, como pensamento
e como sentimento. Em A rosa púrpura do Cairo, Wood Allen
conta a história de um personagem que sai da tela e vai à
platéia, ao público, e se apaixona por um outro personagem.
A cinéfila – interpretada por Mia Farrow – entra
no ‘filme’ e o filme entra nela, e a partir de então,
a realidade se confunde para ‘nós’ expectadores
e para tais personagens, com a transferência e a imitação
da vida que eles próprios e ‘nós’ mesmos
vivemos, no interior do verdadeiro ‘filme’ que é
a nossa vida.
Só o cinema pode proporcionar isto de maneira tão
real, verossímil, como o faz. Uma fotografia já nos
dá uma boa idéia da complexidade da sua relação
com o real. Observe-se a imagem, o fotograma leitmotiv do I Congresso
Internacional de História e Cinema. Temos uma única
imagem, o real (o set de filmagem, do qual Chaplin faz parte), a
imitação do real-histórico (Chaplin como o
grande ditador) e a reprodução dessa múltipla
realidade pela imagem capturada pelo câmera man, na qual Chaplin
é ele mesmo e o ditador que ele quer representar em um único
instante, num piscar de olhos.”
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(Trecho
da conferência de Jorge Nóvoa na abertura do I Congreso
Internacional de Historia y Cine, Madri, 2007). |
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